Integrantes da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva avaliaram que a edição da Medida Provisória 1.394/2026, que determinou o banimento total das apostas online, representou um erro político e um "tiro no pé" que prejudicou o desempenho eleitoral no primeiro turno de 2026. O texto foi assinado pelo presidente em 25 de setembro, a poucos dias do pleito em que Lula encerrou a apuração atrás do senador Flávio Bolsonaro (PL).
Divergência interna e pressão na reta final
A determinação para vetar todas as modalidades de apostas decorreu da intervenção do ministro da Secretaria de Comunicação Social (Secom), Sidônio Palmeira, que convenceu Lula sobre a necessidade de um anúncio de forte impacto antes do pleito. A primeira-dama Janja da Silva também defendeu o banimento total, argumentando que haveria respaldo entre o eleitorado feminino. A ideia formulada inicialmente previa restringir apenas cassinos virtuais, a exemplo do Jogo do Tigrinho, mantendo as apostas esportivas ou construindo uma transição gradual no Congresso.
A medida gerou forte oposição do coordenador da campanha e presidente nacional do PT, Edinho Silva, além de alertas do Ministério da Fazenda quanto à perda de arrecadação federal e ao desgaste eleitoral. O desentendimento gerou uma discussão acalorada entre Edinho e Sidônio, fazendo com que os dois ficassem sem se encontrar por pelo menos uma semana na reta final da disputa.
Reação nas redes e no meio empresarial
O monitoramento de redes sociais identificou que influenciadores voltados à classe C reagiram à publicação da medida provisória articulando pedidos de voto útil em Flávio Bolsonaro. Simultaneamente, o setor empresarial manifestou descontentamento: o presidente do conselho da Esfera Brasil, João Camargo, considerou a condução da proibição "horrorosa" e apontou a percepção de uso eleitoral da caneta presidencial.
Ações no STF e reformulação para o segundo turno
No dia seguinte ao primeiro turno, em que obteve 45,16% dos votos válidos contra 47,03% de Flávio Bolsonaro, Lula reuniu aliados em Brasília e determinou "mudar tudo" para buscar reaproximação com jovens, mulheres e o eleitorado de centro. Paralelamente ao cenário político, a MP 1.394/2026 passou a ser contestada judicialmente no Supremo Tribunal Federal por meio das Ações Diretas de Inconstitucionalidade 8024, 8027 e 8028, que aguardam deliberação do ministro Luiz Fux.
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